(Para Tici Kilpp)
Difícil de mais
ganhar uma medalha
a fama e dinheiro
fazer bonito
vendo outros
fazerem feio
difícil de mais
ser tantos assim
sendo só um
e agradar a todos!
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
domingo, 6 de outubro de 2013
sábado, 21 de setembro de 2013
Apocalipse 3:16
Tá,
E ai?
O que ficou?
Se nenhuma gargalhada houve
Se nenhuma lágrima escorreu
Se tudo que eu era antes
é igual ao que sou eu.
O mormaço incomoda mais,
Não tem a soltura do calor,
nem a elegância do frio.
É algo mais ou menos
Assim:
Vazio
A sensação do sono
Sem sonho
Daquele jeito que não sei.
Que não acordei pra sentir...
E ai?
O que ficou?
Se nenhuma gargalhada houve
Se nenhuma lágrima escorreu
Se tudo que eu era antes
é igual ao que sou eu.
O mormaço incomoda mais,
Não tem a soltura do calor,
nem a elegância do frio.
É algo mais ou menos
Assim:
Vazio
A sensação do sono
Sem sonho
Daquele jeito que não sei.
Que não acordei pra sentir...
domingo, 15 de setembro de 2013
Heavy Vital
É que todos nós,
pesados ou leves,
só queremos estar
nesse mundo
Que de tão diferente
me parece tão igual.
De mãos levantas,
à deus ou ao diabo
Só pensamos ser inteiro um,
sendo só mais um
Só.
E amanhã talvez
mais que
um e só.
pesados ou leves,
só queremos estar
nesse mundo
Que de tão diferente
me parece tão igual.
De mãos levantas,
à deus ou ao diabo
Só pensamos ser inteiro um,
sendo só mais um
Só.
E amanhã talvez
mais que
um e só.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Explicação de coisa boa
Beijo bom
é aquele que foi bom
e se quer de novo
Abraço bom
é aquele sem espaço
entre um e outro
A pior maneira
de se entender carinho
é pensando
é aquele que foi bom
e se quer de novo
Abraço bom
é aquele sem espaço
entre um e outro
A pior maneira
de se entender carinho
é pensando
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Eu quero ser gente!
Esse Vídeo tá rolando no facebook a alguns dias, e eu resisti em assisti-lo. Hj não aguentei a
curiosidade e acabei vendo. É meio fofinho, uma menininha branca, linda por
sinal, com seu cabelo liso caindo no rosto, falando chorosa, trocando o R pelo
L, que quer ser negra.
Há uma comoção com a
cena e as pessoas compartilham orgulhosamente, e quase com orgulho da Maria,
que nem conhecem, pois ela supostamente conseguiu desde cedo vencer as
barreiras do preconceito. As pessoas se comovem tanto com a Maria dizendo que
quer ser negra pois a pele negra é bonita, que nem percebem que ela quer ser
uma negra de cabelos loiros. (Guardem essa observação)
O nome do vídeo
salienta essa comoção com a "vitória do bem contra o mal". "Um
tapa na cara do preconceito" parece querer dizer que o racismo foi
humilhado diante da tolerância e da inocência dessa criança. E que todos
devemos seguir esse exemplo pois essa sim é a maneira de mostrar pros porcos
racistas que somos boas pessoas e queremos viver em paz e amor com todos
independente da cor da pele.
Aqui preciso de uma
pausa para fazer uma explicação. Não compartilho com a teoria que alguns pregam
de que o preconceito e o racismo acabou, que isso tudo não passa de luta vazia
e que todos são tratados como iguais independente da cor da pele. Eu acredito
que existe racismo sim, que o preconceito está presente no dia a dias das
pessoas negras e que lhes causa sofrimento. E sim, que deve ser combatido até
que um dia, que infelizmente não acredito que seja por muito cedo, realmente
não exista mais.
Explicação feita, posso continuar. Fico imaginando qual
seria a reação se uma menininha negra, também linda como a Maria, talvez de
nome Marta, com seus cabelos crespos e sua língua presa a fazendo trocar o R
pelo L aparecesse num vídeo anunciando chorosa: “Eu quelo ser blanca!!!”. Consigo
visualizar os comentários a baixo das postagens: “Que absurdo, isso é o que a
mídia faz com nossas crianças.”, “a rede Globo só coloca os negros em papeis
secundários, dá nisso.”, “Num pais onde a maioria é negra ainda temos que
presenciar cena lamentáveis como essa.” E muitos outros. Não! Ninguém acharia
fofinho, ninguém elogiaria. Alguns menos sensatos culparia a criança pelo seu
auto- preconceito precoce, mas a maioria, com certeza, vitimizaria a pobre Martinha por estar sendo criada numa
sociedade racista, numa família despreparada e diante de uma mídia alienante.
Aqui entra a observação que eu pedi para guardar lá no
segundo paragrafo. A Maria quer ser negra com os cabelos loiros. Não como a Lúcia,
que é sua baba, ou a sua chará Maria que trabalha na cantina da escola. A Maria
quer ser negra com cabelos loiros, como a Beyonce, como a Naomi, como a Tais. A Maria, assim como nossa imaginária Marta, é
fruto da mesma mídia massificante e alienante. Ela assiste as mesmas novelas,
ela brinca com as mesmas barbies e ela vê os mesmos desenhos animados. Quando a
mamãe vai no salão tanto Maria quanto Marta folheiam a mesma Caras mostrando as
mesmas bundas. (Pequena observação que pode parecer contraditório com o resto
do paragrafo: Na verdade, se você prestar bem atenção o querer ser negra de
Maria tem um motivo simples: ela acha a pele negra bonita, e isso pode não ter
nada haver com a mídia também.)
Mas esse texto não é sobre a podridão da mídia. Mas sobre a
falta de reflexão e o maniqueísmo burro (desculpem os amigos que postaram o vídeo,
mas eu realmente acho isso) que aprendemos e que nos desvia o olhar. Que faz
com que olhemos para o racismo, ou qualquer outro preconceito, como se fosse um
demônio que se enfraquece com vídeo bonitinhos e frases de protesto quase
vazias. Não é elogiando Maria dizendo que quer ser negra, nem criticando Marta
que quer ser branca, que se combate o racismo.
A mãe até tentou convencer Maria que ela é linda sendo
branca, mas ela não podia se conformar com sua deficiência de melanina, e como
não somos ensinados a suportar um choro de criança a mãe acabou cedendo ao desejo
e prometeu uma tinta para deixa-la negra. Não, não precisamos pintar brancos de
negros para acabar com o preconceito. Precisamos manter os brancos, brancos, os
negros, negros , os índios, índios e os Japoneses, de olhos puxados. E
precisamos ensinar que não é isso que importa. Precisamos de mãos diferentes dadas,
não de mãos iguais separadas. Precisamos menos de dias da consciência negra,
que pra mim tem um papel de colocar as diferenças a tona, e mais de dias da consciência
Humana para mostrar o quanto somos iguais, e lindos nas nossas imperfeições.
domingo, 30 de junho de 2013
A pipa
Roubei o verso do livro
o modifiquei
ao bel prazer da minha má memória
"Me guia a pipa e a criança"
e gravei na pele
para não mais esquecer
que a bussola que me guia voa
Eu sigo:
brinco de ser feliz
e sou.
o modifiquei
ao bel prazer da minha má memória
"Me guia a pipa e a criança"
e gravei na pele
para não mais esquecer
que a bussola que me guia voa
Eu sigo:
brinco de ser feliz
e sou.
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