Viver exige dois corações
pra baterem juntos
Fortes, acelerados
Juntos
Fortes, acelerados
Juntos
Fortes, acelerados, descompassados
Juntos
Forte, lentos
Juntos
Tranquilos, lentos
Juntos
E pra se um parar
O outro parar junto
domingo, 6 de maio de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
Desfibrilado
A flor que pensei
ser só um botão
num sorriso se abriu
numa linda rosa branca.
Foi como um desfibrilador
para meu coração quase parado.
ser só um botão
num sorriso se abriu
numa linda rosa branca.
Foi como um desfibrilador
para meu coração quase parado.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Platônico
Andando na rua te vi
Seu rebolado
Seu cabelo longo agitado
Me convidando a chegar ai
Apertei o passo então
Quase corri pra te alcançar
Pensando em algo pra te falar
Pra o esforço não ser vão
te alcancei
te olhei de lado
ultrapassei
e segui.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Tesouro astral
Pobre novamente estou
E nenhum ouro mais reluz
Nenhum brilho seduz
Nem sei pra onde vou
Sem caminho nem destino
Procuro lâmpadas pro caminho
Iluminar a estrada
que parece levar a nada
Procuro, cavo e pergunto
Onde está a luz?
Preciso iluminar meu dia
Que ontem escureceu
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Infinitos (4) Clarice Lispector
SAUDADE
(Clarice Lispector)
Saudade é um pouco como fome.
Só passa quando se come a presença.
Mas às vezes a saudade é tão profunda
que a presença é pouco:
quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro
para uma unificação inteira
é um dos sentimentos mais urgentes
que se tem na vida.
ps> Texto de Clarice Lispector adaptado em versos por Antônio Damásio.
sábado, 31 de março de 2012
10 da manhã
No dia em que acordei
minha mãe me disse:
-Para de chorar meu filhinho.
O tapa na bunda dói,
mas logo vem o leitinho
sábado, 24 de março de 2012
Compondo uma vida
Faria um rock com pandeiro
tocaria um batidão
um sambinha bem maneiro
pra tocar o coração
Com a leveza de um bolero
E a elegância de uma valsa
teria firmeza do tango
Tocaria ao som da arpa
Teria que ser heavy metal
Um pesado rock in roll
E não podia deixar
De falar de dor e amor
Teria um verso gospel
Para de Deus lembrar
E duas notas de bossa
para o corpo relaxar
De reggae teria também
Umas batidas na guitarra
Para mexer o esqueleto
uma pegada pagodão
Algo bem nordestino
Um xaxado ou baião
Para simplificar
a essência desse som
No finalzinho sem querer
seria obrigado a botar
um acorde melancólico
para a morte indicar
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